Rio Tejo
Rio Ardila

Douro Internacional
Douro Vinhateiro
Badajoz - Jerumenha
Rio Zêzere
Ribeira de Raia
Lisboa - Alhandra
Seixal
Barreiro
Gaio Rosário/Sarilhos
Ilha do Rato
Ilhas Berlengas
Sapal de Coina
Tróia
Sado Challenge
Sesimbra
Portinho da Arrábida
Cascais
Costa Vicentina
ALQUEVA
 - Granja - Estrela
 - Rio Alcarrache
 - Rio Dejebe
 - Estrela - Mourão
 - Jerumenha/Monsaraz
CANOAGEM / BTT
- A Rota das Minas
RAFTING
- Rio Paiva
BARCOS DRAGÃO
- Regatas / Taça Portugal
FORMAÇÃO
- Técnicas


2018 -COPYRIGTH BY KCT-KAYAK CLUBE DO TEJO NOTÍCIAS I LINKS I LOJA
CONTACTO I HOME I

39º25'N 009º30.3'W...Arquipélago das Berlengas!
A VIAGEM de IDA
Saídos de Peniche, a passagem pelo cabo Carvoeiro é por si só um marco e depois...bom, depois é aquele mar com vaga larga vinda de O e vento de NNO que faz entrar a proa dos kayaks pela onda. Apanhámos muito bom tempo, a um ritmo normal duas horas e meia chegam para fazer a travessia das cerca de 5,5 milhas que culminam na praia do Carreiro do Mosteiro que, com as suas águas transparentes nos convida a um banho. Depois, é descarregar o material dos kayaks e trepar até à zona de apoio ao campismo que mais não é que uns patamares escavados na encosta. Aqui começa uma verdadeira luta com as gaivotas que reclamam cada palmo de chão para fazer os ninhos e, meus amigos, olhem que elas fazem uns voos picados e têm uma pontaria que neste caso não se pode tirar o chapéu...!
A EXPLORAÇÃO
Acampamento feito é hora de explorar a ilha a pé ou de kayak o que, no último caso, só é possível se as condições de mar o permitirem o que da parte da tarde é raro. Saindo da praia do Carreiro do Mosteiro, aproamos logo a estibordo para passar pelo Carreiro da Inês em direcção à Fortaleza de S.João Baptista, mandada erigir por D. João IV de Portugal e que viria a ser palco de numerosas batalhas, das quais se celebrizou o ataque do castelhano Diogo Ibarra. A guarnição portuguesa era comandada pelo Cabo Avelar Pessoa (nome dado à embarcação que faz a ligação com Peniche) e estava-se no ano de 1666. Actualmente serve de abrigo a visitantes que queiram pernoitar. Continuando a viagem, podem-se visitar algumas grutas que na maré baixa permitem passar para outras baías interiores, na ponta SW encontramos a formação rochosa a que se dá o nome de Cabeça do Elefante e se olharmos com atenção, podemos ver várias colónias de Corvos-marinhos-de-crista (Phalacrocorax aristotelis). Logo após dobrar esta ponta encontramos a Cova do Sono, baía abrigada por falésias muito altas e onde se localizam alguns dos melhores pesqueiros da Ilha. A outra ponta desta baía chama-se Ponta de França e marca a passagem para o lado Oeste da ilha e também a transição para a chamada Área de Reserva Integral. Aqui o mar engrossa batido a vento Norte e a viagem é feita contra ondas e vento passando por várias aflorações rochosas e grutas impossíveis de entrar na maioria das vezes. O Ilhéu da Quebrada é uma das maiores aflorações rochosas e marca praticamente a metade da costa Oeste da ilha. Após passá-lo, encontramos o Carreio dos Cações canal que rasga a Ilha até quase metade ficando próximo de se encontrar com o Carreiro do Mosteiro, sendo aqui a entrada também só possível em condições de mar muito boas devido às muitas rochas semi-submersas quer na maré baixa, quer na cheia. Com o Carreiro dos Cações, acaba a Área de Reserva Integral e entramos na parte Norte da Ilha onde o mar é ainda um pouco mais difícil, passamos a apanhar ondas e vento por bombordo até passar a Chapada do Norte (o nome diz bem do que se leva). Começamos agora a descer a costa Leste e encontramos o Ilhéu Maldito que pela sua localização muito perto da costa forma um corredor muito perigoso e que convém evitar navegando por fora com o Ilhéu do Cerro da Velha à vista por bombordo. É aqui que vive a mais importante colónia de Airos (Uria aalge) ave semelhante a um pequeno pinguim e que é o símbolo da Reserva Natural da Berlenga. Estamos na ponta Leste e passamos as Buzinas em direcção ao Carreiro do Mosteiro, ponto de partida. Aqui o mar e vento fazem-se sentir pela popa e quando a coisa está má é bom que a concentração esteja ao máximo.
Outra variante é a exploração da Ilha a pé, para o que temos ao dispor um trilho construído e que nos leva desde o Carreiro do Mosteiro passando pelo ponto mais elevado da Ilha (Farol), Fortaleza de S. João Baptista, Cisternas, até à Cova do Sono. De lembrar que para Norte deste trilho o território é Área de Reserva Integral cujo acesso só é permitido em condições muito especiais. Há também a hipótese de explorar a zona Leste e Norte a partir do Carreiro do Mosteiro usando o trilho que nos leva até às Buzinas. Explorar a Ilha a pé permite-nos descobrir a sua flora caracterizada por um conjunto de espécies de porte herbáceo e arbustivo assim como a fauna composta por algumas espécies de vertebrados não voadores, tais como o Sardão ou Lagarto-ocelado, a Lagartixa de Bocage, o Coelho-bravo e o Rato-preto. Tempo de jantar e o pessoal foi "limpar" uma caldeirada (caldeiradas é o nosso forte) no restaurante da ilha, "Mar e Sol", construído no local onde outrora se erigia o Mosteiro da Berlenga, isto não sem que antes se tivessem bebido umas bejecas na esplanada.