DOURO INTERNACIONAL - TROÇO SUPERIOR Antes de tudo o mais importa referir e agradecer o esforço do companheiro José Raposo (CDPA) sem o qual a histórica Descida do Douro seria improvável. Aqui ocorrem as rochas mais antigas de Portugal, os gnaisses de Miranda do Douro, assinalados com idade Pré-Câmbrica. O setor de Mogadouro situa-se na orla do maciço de Morais, onde ocorrem rochas ofiolíticas, testemunhos de antigos fundos oceânicos que foram trazidos à superfície e cavalgaram a costa continental, devido aos esforços tectónicos que originaram, nesta região e durante o Paleozóico, uma cadeia de montanhas designada Hercínica, similar em muitos aspetos aos atuais Himalaias, e que se estendeu até à costa leste americana. Várias estruturas geológicas, conhecidas como mantos de carreamento e que foram as responsáveis pelo transporte para a superfície dos antigos fundos oceânicos, surgem também neste setor do Parque Natural e na sua envolvente. A variedade litológica é notável, estando assinalada a ocorrência de diversos tipos de granitos, gnaisses, migmatitos, serpentinitos, calcários, mármores, travertinos, quartzitos, xistos e grauvaques, assim como diversos depósitos de terraço e cascalheiras. Verifica-se também a existência de testemunhos fósseis de uma antiga fauna marinha de idade Câmbrica. CANOAGEM -Dividida por três etapas no total de cerca de 50 km, o grupo concentrou-se no Barrocal do Douro tendo aproveitado o resto do dia para conhecer a região culminando com uma jantarada. No dia seguinte partimos para a Barragem de Castro (ESP) onde iniciámos o 1º troço com cerca de 15 Km até Miranda do Douro e começou o espectáculo ao navegar por entre as Arribas do Douro. De ambos os lados falésias altíssimas (e sem acesso à água…) enquadravam o leito do Douro, formações fantásticas surgiam a cada esquina e o silêncio só era cortado pelo som das pagaias. Numa curva surge o “Despeñadero de la Finiestra” e logo mais fragas de cor e forma deslumbrantes onde Grifos e Abutres do Egipto nidificam. Chegados a Miranda do Douro armazenaram-se os kayaks e relizaram-se visitas locais. No 2º troço realizámos cerca de 22 km até à Barragem do Picote e a paisagem continuou magnífica, junto ao “Pé do Douro” encontram-se vestígios da “Rota do Contabando” e cascatas de água límpida. Chegádos ao Picote fizemos algumas visitas locais seguidas de um jantar convívio. A 3ª e última etapa, Picote - Bemposta cerca de 14 km, começou com a passagem pelo “Picão do Diabo” e com a mesma paisagem a emoldurar a nossa actividade, fragas, silêncio, águas calmas, cascatas e muita fauna e flora. Resta referir o espírito de entre-ajuda que permitiu ultrapassar obstáculos e resolver todas as situações inesperadas próprias deste tipo de activividade.
Era ua beçun lhobo, auncuntrou ua cochina que tenia uns cochinicos. I chegou o lhobo a la borda deilhes i dixo que is queria comer. La cochina dixo que nó, que aguardara mais uns dias. -Puis bien, acá benirei. Fui para arador i dixo-le que le habie de comer las bacas, i dixo i arador: - Nó, que inda stan mui fracas. Deixaremo-las mais uns dias. Apuis fui para ua que staba nun cerrado a angordar. -Ah baca que te bou a comer! - Ahora num me comas, deixa-me mais uns dies que inda stou mui fraca. Dalhi a uite dies fui i lhobo a comer la baca i dixo-le i lhobo: -Agora bou-te a comer! - Puis come, come! Prendiu i lhobo ua cuôrda a la baca i dixo la baca al lhobo: - Mete la cuôrda an ne cachaço. Agora quiêres que te ansine cumo faien las bacas ne berano quando dá la mosca? -Ansinai, ansinai.Todo yê bien saber. Saltou la baca a fugir cun i lhobo a la rasta. Apuis cobrou-se la cuôrda i fui i lhobo pa la raposa i dixo-le: -Si, si comadrica, Se la cuôrda nun quebra i le nuôlo nun desata, you iba parar a casa de i duôno de la baca. Lingua Mirandesa, texto recolhido por José Vasconcelos.